Análise filosófica da guerra – “A Questão da Guerra Justa”

No passado dia 14 de abril, os docentes de Filosofia promoveram um debate em torno da temática A Questão da Guerra Justa – Podem as guerras ser morais?, destinado a alunos do 10.º ano de escolaridade.

cartaz

A análise filosófica da guerra examina-a do ponto de vista moral perguntando se pode haver justificação moral para a mesma. Não pergunta pelas causas da guerra, mas se há justificação moral para travar alguma, como deve ser conduzida uma vez declarada e como agir uma vez terminada.

Devido ao seu carácter violento e aos enormes efeitos na vida das pessoas e das sociedades, a guerra é uma fonte óbvia de questões de natureza moral. A mais importante dessas questões é a de saber se a guerra pode em alguma circunstância ser justificada ou se, pelo contrário, é sempre errada.

As três principais teorias sobre a moralidade da guerra são: O Realismo; O Pacifismo; A Teoria da Guerra Justa.

É costume distinguir entre os princípios que visam determinar quando é legítimo recorrer à guerra (jus ad bellum) e os princípios que procuram estabelecer como conduzir a guerra (jus in bello). Recentemente, alguns pensadores acrescentaram uma terceira categoria, relativa ao que se deve fazer uma vez a guerra terminada (jus post bellum).

Professor António Loureiro

Esta iniciativa apresentou dois momentos distintos:

A Conferência proferida pelo Dr. Óscar Paiva:

Loureiro

 

conferência

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A produção de uma reflexão crítica pelos alunos envolvidos.

Publicamos o trabalho desenvolvido pela aluna Joana Gomes, da turma E:

No âmbito da disciplina de filosofia, algumas turmas do 10º ano da Escola Secundária de Emídio Navarro participaram numa conferência com o objetivo de discutir um problema do mundo contemporâneo: ”podem as guerras ser morais?”.

A discussão deste problema é bastante importante, uma vez que este está omnipresente na história da humanidade, não se conhece o seu passado sem dar ênfase às guerras já vividas e àquelas que, provavelmente, ainda estão por vir.

A posição do conferencista não ficou muito clara mas, segundo a minha interpretação do seu discurso, afirma que é contra as guerras e que estas têm de ser erradicadas. Começou por fazer uma pequena introdução ao tema e, posteriormente, identificou as principais teses que dão resposta a este problema: o realismo, o pacifismo e a teoria da guerra justa. De uma forma mais geral, o realismo afirma que as guerras são justificadas pela política e pelos interesses do Estado, por isso não está ligado à moral. O pacifismo, ao contrário do realismo, não separa a ética da guerra, nenhuma guerra é moralmente justificada, logo, é sempre errada. E perante a teoria da guerra justa nem todas as guerras são imorais, para os defensores desta teoria a guerra é abrangida pela moral e pode ser justificada.

Durante a conferência foi sublinhado também o conceito de tolerância e ainda os seus limites, de onde surgiu a noção de que ambas as partes de uma guerra têm de ser tolerantes perante o outro mas sem dar espaço à ingenuidade para que se evitem abusos, ou seja, devemos aceitar as diferentes sociedades mas tentar evitar ao máximo que se ultrapassem os limites tanto da tolerância como da ingenuidade.

Para o palestrante, “o bem maior que hoje se idolatra é o dinheiro” e eu partilho da sua opinião pois grande parte das guerras são erguidas com o propósito de obter o maior poder possível sobre tudo e todos, o que é em parte fundamentado pela teoria do realismo, “a guerra só deve ser travada se servir os interesses do Estado”.

Segundo o meu ponto de vista, a teoria pacifista (de origem religiosa) parece-me ser a melhor resposta ao problema tratado na conferência. Na minha opinião é impossível justificar estes conflitos em grande escala porque por onde quer que passem, deixam um rasto de mortes de civis inocentes, de destruição de vidas e uma enorme lista de problemas. Esta teoria nega todo o tipo de violência, mesmo para fins defensivos, por isso, impediu a defesa do mundo cristão dos ataques inimigos.

Em suma, as guerras têm de ser cessadas pois “mergulham os povos numa espiral incontrolável”, atentam contra os direitos humanos, contra a democracia e, ainda, contra os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Por mais difícil que seja, tem de se chegar a um consenso sobre este assunto antes que mais alguma das diferentes sociedades pague um preço elevadíssimo pelo desentendimento dos outros.

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